sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Vagina dentada






Pintura de André Masson que recobria o quadro que se encontra abaixo...





Buracos, muitos, só na cabeça sete. Estes espaços não são vasos sem flores, embora vazios ou ocos, captura-se o mundo em seus entornos, são fendas que permitem trocas entre dentro e fora. As mulheres contudo tem um a mais. Tornam-se por isto insaciáveis. É muito buraco, e objeto neste mundo não há que preencha isto, tentamos fazê-lo, mas não ocorre. Estas faltas são constitucionais. A mulher tem um buraco onde o homem ostenta um pedaço de carne, eles encontram-se e desencontram-se. Buscam-se, perdem-se, ele se ergue, ela morde, ele cospe, ela engole. Lembrança de uma ternura diz Lacan sobre a detumescência. Os homens amam e odeiam as mulheres, assim como elas também o fazem. Os homens tem amor e horror às mulheres, a caverna da mulher é sempre um enigma que o homem supõe conhecer, mas sabe que não sabe, trata-se do impossível de saber. Elas também não sabem. Os homens não entendem nada das mulheres, é um continente negro, é uma bocarra que vai nos engolir com seu desejo. Definitivamente, os homens amam e odeiam as mulheres porque eles sabem e não sabem aonde elas vão levá-los. A caverna além de quente e úmida é escura, suas paredes são um bom berço, convite ao deleite. Ele doa e dorme com um sorriso besta, pensa que fincou uma bandeira, mas a verdade é que o buraco-caverna-vagina da mulher morde o homem, e ele serviçal, mesmo que monte, apenas se curva ao lugar daonde saiu.







A Origem do Mundo, Custave Courbet, 1886





Anderson Matos

13.11.09.

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