A cabeça da Medusa, Vick Muniz
Um miojo não tem gosto de absolutamente porra nenhuma. Tem gosto de uma solidão besta que se materializa num espaguete préte-a-porter insosso, gosto amargo das coisas prontas e rápidas que se oferecem com cara de solução pra o que não tem remé(té)dio...
Detesto miojo porque ele me lembra que quando tenho que comê-lo, minha mãe faltou, minha mulher já havia se tornado ex e portanto devia estar ausente, e a massa tem um gosto amargo e estúpido de quem tem que se virar. Ele é muito prático, e muito sem amor. Miojo tem gosto do que está irremediavelmente pronto pra te resolver esta solidão besta que o seu estomago te faz gritar, e te obriga a buscar vida alhures, os pedaços necessários para que o tubo continue a funcionar.
Não gosto de espaguete porque precisa ser mama demais pra poder fazer um espaguete de verdade, e mama demais é um negócio que tá mais na sua fantasia que na realidade, e mama demais quando dá pra dar certo desanda tudo que da pra desandar, porque mama de tetas fartas enche o saco, enche a boca, enche o tubo, putaquipariu mama demais também é duro.
Na verdade tubo existencialista de múltiplos ductos, tem jeito não. Viver é assim, esses pedacinhos de migalhas, filigranas. Choro de bebê e festa, 27.07. saldo totalmente negativo, estourado, as figuras intestinas de Hyeronimus Bosch assim, fragmentação especular de mercado econômico, volatilidade, um tubo famigerado existencial recupera os fragmentos do dia, no fio do espaguete, uma vida desenrola, o miojo queimou...
Anderson Matos
27.07.2004


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