segunda-feira, 4 de abril de 2011
Notas sobre homens sós ou o porque do casamento feliz
Te amo porque você me deixa
Me deixa vagar pelos bares e pelas noites
Me deixa desfrutar o Zoológico das espécies
Botânica de alquimista
Na noite escura surgem todos os ângulos
É possível ver todos os alcoólatras
Todos os toxicômanos, os canabinomanos,
Os cocaínomanos, os noiados
Vespertinos, vesperatos, desesperados, todos
Todos tão solitários
Estes solitários tratam malestares
Tanto de multidão quanto de solidão
Com copo mudo que não pede nada
Com nota encardida de catarro
Com cachimbo fedorento que propaga paranóia
Com insônia inimiga de sol
Remédios com efeitos colaterais
Suspeita de que alguém tudo vê
Será Deus? Ou a polícia? Será minha mulher?
Será meu chefe? Será meu supereu?
Será que o papai imagina isso tudo de mim?
Será que o pecado pode ficar sem confissão?
Há quem diga que não
De qualquer forma era possível amá-la
Porque ela o deixava chafurdar na sua solidão
Era possível odiá-la pelo mesmo motivo
Ele só sabia que quando andava pelas noites e bares
Ganhava a sorte de poder observar tudo
Ganhava igualmente o azar de provar um de cada
Escutar lorotas monotonicas insuportáveis
De novo delírios de ciúmes
De novo papo de futebol
Uma mulher em casa brigaria por outros motivos
Mazelas de ter que conviver todo dia
Canseira de casal
Neura
Moléstia
Molestação
Não me venha novamente com seu rosário
Não me venha novamente com suas lágrimas
Não me venha a uma hora desta discutir a relação
Enquanto encontra coito, a carne é só tesão
Gemidos, sussuros, gritos e silêncio: Pos coitum animal triste
Depois do corpo inerte um chicote sadomasoquista de alma, pergunta: que queres?
Nada! Respondo
Silencioso penso: deve ser por isto que os homens freqüentam os bares
Lá existe só Happy hour
Em casa uma mulher vestida de esfinge não se cala: decifra-me ou eu te devoro!
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