terça-feira, 19 de abril de 2011

O pouco de silêncio da noite






 




A televisão falará a noite inteira sem que eu a escute
Contará todas as fanfarronices que a mídia é capaz de produzir
Continuarei sozinho não escutando tudo aquilo
Pois por um instante durmo
Eventualmente contudo uma insônia maldosa me cutuca pelas madrugadas
Ela fica me perguntando sobre o que eu vou fazer
Ela é persistente
Pergunta sem dó
Parece propaganda; - o que queres? O que queres?
Eu não sei o que dizer a ela
Apenas acompanho o movimento dos filmes nacionais repetidos
Que migram para os filmes estadunidenses escaldados
Depois surgem desenhos
Estranho, desenhos a esta hora da madrugada não?
Devem ser os pacotes que eles compram e não sabem aonde enfiam
Logo depois os telecursos para os que tropeçaram na escola
Depois jornal rural
Jornal de rede local
Jornal de rede nacional
E a vida amanhece alheia a minha insônia
E não me pergunta nada
A não ser apenas a hora que vou acordar
Os pardais e os movimentos a rua me avisam
Que mesmo que a paz não tenha me chegado naquela noite
Dia se avizinha
O despertador do telefone com valsa me avisa
Calça tua armadura
Vai-te
Uma nova batalha te espera
Tira tuas botas da lama
Veste sua farda de todo dia
Tem dia que a noite é foda











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