quinta-feira, 24 de março de 2011

O tempo era














As fitas do senhor do Bonfim não se romperam ainda



Não sabia se haveria sorte ou azar


Quisera cortar os pulsos


Para que junto com as fitas fossem os afetos


O horóscopo também era sempre muito amigável


Por isto evitava lê-lo


Apenas o espelho não mentia


Porque só ali havia olhos nos olhos


Todos os oráculos


Apenas especulavam


Bolsa de jogos


Purrinha


Apurrinhação


O tempo ampulheta impassível ria


Pequeno homem


Como sofre tão grande com tanto nada?


Búzios, números e pais de santo


Dizem que o tempo será


A verdade na verdade


Habita no passo que está por vir


E não no seu desejo


De escutar palavra bem dita


A verdade qual previsão dirá?


O tempo era, já disse James


Por que você não escuta isso?


Por que sofre tanto com este tempo que já não é mais?


A verdade está no por vir


Quando as fitas rasgarem


Não se preocupe com os presságios


É apenas um pano que se esgarçou

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